sábado, 22 de dezembro de 2007

Madrugada em Porto Alegre

Fui angustiada para essa cidade estranha. Vazia. Sabia que amaria. Mas, não sabia o que vinha ao meu encontro. De canoa, mansinho...Olhando assim, parece-me um tanto que romântica, a cidade. Daqui de cima, dá uma sensação gostosa. O fulgor e agitação fazem parecer a noite em um mar após a tempestade. Ai, calmaria! Ai, esse ar denso... Faz-me recordar meus sonhos juvenis. Faz-me refletir.

Não consigo dormir. Essa calmaria... Também já são três horas. Pensar em Curitiba parece mais obrigação do que saudade. Há algo em Porto Alegre que embriaga. Deve ser alguma coisa do ar que vem da direção do Guaíba. Um rio, lago – nem sei. Só sei que tem maresia.

Ai, esse abraço no meio da rua. Tem um jeito europeu – a rua. Tem um traço bem brasileiro. Pensando bem. Não tem nada com nada. É algo próprio. Uma mistura, que nem tu entende.

As mãos furtivas... O sorriso. O passeio. Parece aqueles filmes água com açúcar que tanto encantam as curitibanas. Mas isso foi depois. Agora você nem se dá conta do que está perturbando seu sono. Curitiba ainda chama alto. Adormece, apesar dos gritos.

Quando acorda, ceder aos encantos da cidade já não é mais tão difícil. Na verdade você se deixa levar de bom grado. Aquele abraço. Aquela candura tão rara em curitibanos. A rua deserta. Talvez não tão deserta. Acho que todos perceberam. Nós não. Você recorda o pranto na noite anterior. Uma mulher traída. Destruída. Impossível não recordar de Curitiba.

Mas, Porto Alegre insiste em encantar. A cidade abraça – envolve-a. Você não é mais você. É tu. Mas sente-se mais você do que nunca. Mas cuidado, esse porto não é seguro. Ele seduz. O dia passa rápido demais e você tem a sensação de uma vida inteira. Eu não sabia o que em Porto, conheceria. Não sabia o que não faria. Mas acho que nessa madrugada, a falta de sono é um pressentimento. Permanecerá lindo. Mas tu irá embora de avião, rapidamente. Voltará angustiada à Curitiba.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Entre a vontade de deixar estar e o medo da burocratização romântica

Quero quebrar a cara. Mas, o medo prevalece. O peito cala. E eu tiro sarro só pra ver se eu consigo despertar o seu amor. Nego a sede. Mas no fundo, quero colo. E quer saber? Compartilhe, antes que tudo acabe. Deixa estar...

Passo vontade... de entrar de sola! Perco a hora. Abalo o orgulho. Pisoteio o coração.

Eu não vou mais implorar. Eu vou calar a boca. Guardar segredo. Deixo a dor em silêncio. Eu tranco o grito no meu pranto. Canto alto de euforia. (Na verdade, eu queria te cantar) Mas o verbo da paixão é mudo e guardo pra mim. Mas se quer saber, deixa estar...

Mordo os lábios. Peço trégua. Recuo. Queira-me bem! O teu silêncio fala alto no meu peito. No fundo, o seu instinto é sobreviver. E acabamos juntos na distância... Deixo estar?

Curvo os ombros. Molho a febre. Adoeço. Porque eu sei que na verdade não consigo entender o nosso amor. Guie-me pela sua voz. E diga, quem nunca teve um pé atrás? Lembre-se! A vontade de fugir é o medo de ficar... E quer saber? Deixa estar...


*Os meus agradecimentos ao TG e ao Los Hermanos que forneceram os retalhos que eu costurei.