Não quero admitir que os escritores, roteiristas e sei lá mais o quê acharam a fórmula do amor. A receita dos triângulos. Porque não é assim. Não há receita na vida. Queria que pelo menos uma vez, ao invés de mostrar a ótica de quem sofre por amor, mostrasse o ponto de vista de quem faz sofrer.
Tem gente metida em triângulos tais como de um certo filme italiano (ou seria francês?) que vi certa vez! Uma namoradeira incorrigível – uma sonsa monga que não vê um palmo a frente -mas não que fizesse por leviandade. Tudo genuíno. Realmente se sentia encantada por cada novo namorado. Ele, um rapaz sem defeitos. Bonito, forte e viril... Um “homem” estereotipado. O novo namorado.
Mas sempre tem o trovador. Aquele amigo, o ombro, a docilidade... Longe de ser o mocinho de filmes. Mas que tem o encanto e o bucolismo que o fazem conseguir as cenas mais bonitas. Só que no seu espírito há a mesma contradição do coração da namoradeira. Ela, ao mesmo tempo em que não quer ferir um ser vivo, acaba sempre destruindo o coração do amante. Ele, o “versador”, por mais que queira conquistá-la, por sua inteligência acaba tendo requintes de crueldade – quando se sente ameaçado.
Nesse final de semana, vi vários enredos do amor. O triste dos seus amigos namorarem entre si, é que você não pode tomar partido – nem se meter. Não que eu me meta. Não que eu sempre dê razão para os amigos. Mas gosto de dar pitada de bom senso. Se é que possuo...(Pra quem está de fora sempre é mais fácil! Uma pena que não podemos ver de fora os próprios relacionamentos).
Longe de mim, almejar a perfeição. As imperfeições por si só, já tornam as pessoas mais interessantes. Sou adepta de quem ama, acha fascinante até certos defeitos. Mas parece-me que as pessoas estão cometendo graves erros...ou os de sempre. Creio que já não sabem porque namoram. Creio que perdem muito tempo apontando os defeitos da outra. Virou uma convenção social. Não é permitido estar sozinho ou se tem muito medo disso. Sinto-me triste quando não vejo empolgação no olhar, vontade de estar grudado, enlaçado, abraçado ou então a agressividade nos gestos em relação ao “ser amado”. Eu sei quando ajo assim, o que significa... Por isso me entristece.
Ou ainda, aquelas pessoas que não são apenas namoradeiras... Aquelas que por alguma falta tentam preencher de todas as formas, algo que desconhecem. Falam de peito cheio: estou muito bem, escolhi esse modo de vida. Mas no final do dia, sabem, que não conhecem o que procuram... Não sabem o que procurar. E ainda tem aqueles que se sentem donos e acham que amar é ser propriedade...
Nesse momento paro e vejo que todas essas tramas: os filmes, livros e novelas já conhecem. Será que é possível resumir a vida assim? Numa história, num roteiro...numa página? Talvez seja ingenuidade achar que não... E não quero condenar ninguém. Talvez para mim certas coisas não façam sentido... ou simplesmente não concorde. Acho todas essas nuances interessantes demais, para querer que não aconteçam... Ai, essas complicações humanas. Tão humanas.
Ainda percebo, pequenos enlaces, particularidades, olhares, vaidades, sorrisos (e porque não, abraços?)...que superam qualquer roteiro.