sexta-feira, 12 de outubro de 2007

AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Feriado: uma tentativa de fugir do prejuízo

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Procura-se uma menina

Entre um assassinato e um infarto foi o instante, que por descuido, perdi a menina.
Falei que nunca a deixaria morrer – mas não pensei que um dia ela se perderia.
Já estávamos tão acostumadas a conviver lado a lado. Na verdade, ela me deixava mais engraçadinha (eu: uma garota de 19 anos, desengonçada, com uma menina ao lado). Eu sempre de olho nela, ela sempre de olho em mim. Agora, aos 20 – sem nenhuma criança por perto.
Por um breve instante de vacilo, ela com medo – fugiu. Assustada. Uma dose muito grande de maturação, muito grande e muito rápida.
Mas o engraçado é que apesar do susto, ela espia entre um sorriso e uma piada. Talvez esteja apenas escondida. Não sei. Mas caso você aviste a menina, grite! E diga que eu sinto saudade.