FOTO: WILL BURGESS. O que aprendi hoje: Um dos desafios do jornalista é o de ser extremamente crítico e ainda ter a capacidade de se encantar pelas coisas.
Hoje estava conversando com um mestre das artes do jornalismo. Mesmo percebendo que as minhas técnicas para tirar as revelações mais bombásticas ainda é precária, consegui adentrar em diversas reflexões: da filantropia, cinema, Cyndi Lauper, às da vida acadêmica! Também cheguei a uma conclusão assustadora (ok, talvez não seja para tanto). Sabe, eu nunca pensei em trabalhar no jornalismo impresso. Achei que não tinha nascido para coisa. Mudei de idéia, existem possibilidades. Amo desenvolver meus “filhos”. No entanto, quando finalmente pego gosto, não teremos mais jornal laboratório. Logo, como exercitar algo que necessita de aprimoramento – ou melhor, onde? Eles passaram os 2 anos e meio priorizando jornal impresso e quando me apaixono...
Percebi que é uma emoção muito grande ter as unhas roídas pela pressão e o stress de fechar o jornal. E as mãos sujas daquela tinta maldita! Talvez seja exagero - ou lirismo - mas o preto deixa a alma impregnada, não só as mãos! Remete aquela visão romântica do jornalista (acrescente aí, aquele cafezinho na mão).
Jornalista é tudo bicho esquisito mesmo.
Perdemos final de semana, acordamos 4 horas da manhã, dormimos pouco, reclamamos (e muito!) mas no fim das contas, adoramos uma vida sem rotinas e a correria – uma delícia, não? Meu pai sempre disse que eu deveria fazer outra coisa, mas não adianta, cada um sabe melhor o que quer da vida. Agora me surpreendo com vários (VÁRIOS) estudantes! Acho que todos sabem do cansaço, do stress... Ninguém quer sacrificar um fim de semana e ainda tem aqueles com o papo de que não querem trabalhar na área (mas acham-se tão importantes quanto o gás da coca e não aceitam uma crítica). Passar um tempão trabalhando em cima de uma matéria, e depois de pronto, impresso - ver um monte de defeitos. É a coisa mais comum do mundo, não é? Fora o Ctrl+C, troca a ordem, Ctrl+V (sim, ainda existe!) – mas esta é outra discussão.
Estudante de jornalismo é tudo bicho esquisito mesmo.
A lenda viva Valdir Cruz, em uma banca da vida, disse que o jornalismo é exatamente isso (não a falta de profissionalismo). Estar sempre vendo algo a melhorar, sempre vendo que há algo de diferente a ser feito. Que ler o jornal depois de publicado, pode ser muito frustrante, porque sempre achamos que poderíamos ter feito melhor. Somos todos meros estudantes, então talvez desconhecemos esse fato. Mas não é, ou pelo menos deveria ser (num mundo ideal talvez) a intenção do estudante e, principalmente o universitário, querer sempre o aperfeiçoamento? E não é da própria natureza universitária, e ainda mais do jornalista ser crítico? Imagina o que vai ter de melindres nas redações do futuro...
Enfim, é apenas um desabafo...
Só digo: é uma pena não ter mais jornal laboratório!

